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Stalingrado, parte IV - Operação Tempestade de Inverno
A frustrada tentativa alemã de abrir uma brecha nas linhas soviéticas que cercavam o 6º Exército em Stalingrado

Os comandantes soviéticos não esperavam uma ofensiva de Manstein tão rapidamente. Yeremenko imediatamente temeu pelo 57º Exército, que ocupava o setor sudoeste do Kessel (o bolsão de Stalingrado). Vasilevsky estava no quartel general do 51º Exército, com Khrushchev, no dia 12, quando as notícias do ataque alemão foram recebidas pelo rádio. Ele tentou contactar Stalin em Moscou, mas não foi possível. Não desejando perder um minuto sequer, ele contactou o General Rokossovsky, o comandante do front do Don, e o avisou que ele queria transferir o 2º Exército de Guardas para o comando do front de Stalingrado, na tentativa de bloquear o avanço de Manstein. Rokossovsky protestou veementemente, e, para o desânimo de Vasilevsky, quando ele finalmente conseguiu contactar o Kremlin por telefone, naquela tarde, Stalin zangou-se com o que ele pensou que fosse uma tentativa de forçá-lo a uma decisão precipitada. Ele se recusou a dar uma resposta e obrigou Vasilevsky a passar uma noite em ansiedade.

Neste meio tempo, Yeremenko havia ordenado ao 4º Corpo Mecanizado e ao 13º Corpo Blindado bloquear a cunha de avanço dos panzers germânicos. A 6ª Divisão Panzer movera-se adiante por quase trinta milhas nas primeiras vinte e quatro horas, cruzando o rio Aksay. Finalmente, após as discussões no Kremlin que duraram toda a manhã do dia seguinte, e depois de mais contactos com Vasilevsky, Stalin concordou em transferir o 2º Exército de Guardas nos próximos dois dias.

No segundo dia da ofensiva, a 61ª Divisão Panzer alcançou Verkhne-Kumsky. A chuva caía, prenunciando um pequeno degelo. Nos terrenos elevados em torno da vila começou o que o General Raus descreveu como "uma gigantesca luta greco-romana". Esta furiosa batalha de três dias tornou-se muito custosa. Ela se provou, contudo, um sucesso localizado, possibilitando o avanço dos Tigres e das divisões de Hoth para a linha de Myshkova, uma vez que a 17ª Divisão panzer chegou e Richtofen lançou seu suporte aéreo ao máximo. Mas estes eventos em breve se provariam irrelevantes para a sorte do 6º Exército. Seu destino havia sido decidido a 125 milhas para o Noroeste.

Stalin rapidamente percebeu que Zhukov e Vasilevsky estavam certos. A maneira mais efetiva de esmagar a tentativa de aliviar os exércitos de Paulus era bloquear o avanço de Hoth em Myshkova, enquanto o golpe decisivo seria vibrado em outro lugar. Ele concordou com a idéia de adaptar a Operação Saturno (destruição do Sexto Exército). As ordens foram redigidas no primeiro dia da batalha em Verkhne-Kumsky, instruindo os comandantes de Voronezh e do front Sudoeste a fim de que se preparassem para lançar uma versão corrigida da operação, conhecida como Pequeno Saturno. O plano era avançar pelo flanco do 8º Exército Italiano, na retaguarda do Grupo de Exércitos do Don, ao invés de golpear em Rostov. Seus exércitos deveriam estar aptos a atacar em três dias.

Yeremenko ainda estava preocupado. Com os Panzers de Hoth na linha do rio Myshkova, a 6ª Divisão Panzer estava a menos de 40 milhas da borda do Kessel, e o 2º Exército de Guardas havia sido atrasado pelos nevoeiros, que voltaram a se intensificar, e não estaria em posição de contra-atacar antes de 19 de dezembro. Ele esperava que as forças Panzer do Sexto Exército forçassem uma ação ofensiva em direção ao Sudoeste do bolsão a qualquer momento, mas ele não teria como saber que Hitler houvera recusado a permissão para tal manobra e que os setenta Panzers remanescentes de Paulus tinham combustível para avançar somente umas doze milhas.

O Marechal de Campo von Manstein enviou o Major Eismann, seu oficial de inteligência, para dentro do Kessel, por avião, no dia 19 de dezembro. Sua missão, Manstein proclamou depois, era se aconselhar com Paulus e Schmidt a fim de prepararem-se para a operação Trovoada. Versões e interpretações diferentes do que foi dito neste encontro nunca serão conhecidas. Está claro, contudo, que Manstein ainda evitava assumir a responsabilidade por ter desobedecido a Hitler. Ele não daria a Paulus uma diretriz clara e recusou-se - sem dúvidas por razões de segurança - a voar para dentro do Kessel a fim de discutir a questão face a face com o comandante do Sexto Exército. Além disso, Manstein deveria saber desde o princípio que Paulus, com sua firme crença nas cadeias de comando, nunca tentaria romper o bolsão sem uma ordem formal do alto-comando. Os esforços de Manstein, em suas memórias, para absolvê-lo de qualquer culpa no destino do Sexto Exército são curiosamente exageradas, bem como injustas com Paulus. Parece que ele sofria de uma consciência atormentada, mesmo que ninguém o houvesse culpado.

No dia 16 de dezembro, somente quatro dias após o início da ofensiva de Hoth, o 1º e o 3º Exércitos de Guardas, bem como os remanescentes do 6º Exército Soviético atacaram em direção ao Sul. Retardados por uma névoa pesada e congelante, com suas formações de tanques desatinando-se em meio a campos minados, a operação soviética não tivera um bom começo. Dentro de dois dias, entretanto, o 8º Exército Italiano havia-se desmoronado depois de vários atos de resistência selvagem. Não havia qualquer reserva pronta para contra-atacar, agora que a 17ª Divisão Panzer havia se juntado às operações de Hoth ao leste do Don, então as colunas de tanques russos invadiram as estepes congeladas ao sudoeste. O grande frio na região, que começou no dia 16 de dezembro, afetou pouco a velocidade das brigadas de T-34 que galgavam em direção à retaguarda do Grupo de Exércitos do Don. Junções e estações ferroviárias foram capturadas assim que os vagões cheios de equipamento eram incendiados pelas tropas de suporte alemães antes de fugirem.

A ameaça mais grave para os alemães era o avanço de 150 milhas do 24º Corpo Blindado do Major-General Vasily Mikhailovich Badanov. Na tarde de 23 de dezembro, ele ultrapassou Skassirskaya, poucas milhas ao norte de Tatsinskaya, a base principal de Junkers 52 para Stalingrado. O General Fiebig havia recebido ordens do quartel-general do Führer que suas aeronaves não deveriam abandonar o campo até que estivessem sob fogo direto de artilharia. Ninguém do séqüito de Hitler parecia ter imaginado a possibilidade de que uma coluna blindada poderia chegar às margens do campo e então abrir fogo.

Fiebig e seus oficias estavam furiosos, o campo sempre poderia ser recapturado, mas se as aeronaves de transporte fossem perdidas, o Sexto Exército estaria condenado. Eles não possuíam tropas terrestres para defender "Tazi", como a Luftwaffe chamava o campo. Tudo que estava ao seu alcance era utilizar sete armas "flak" para cobrir a estrada, além de preparar todas as aeronaves em serviço para decolar imediatamente nas primeiras horas da manhã. Havia tantos transportes que esta tarefa se provaria mais difícil do que o esperado. "Em torno da pista de decolagem havia tremendo caos, com os motores funcionando ninguém conseguia ouvir nada", conforme notou um oficial de Richtofen presente no dia. Para tornar as coisas ainda piores, havia uma espessa névoa, o teto de nuvens estava bem baixo, a 150 pés e caía uma neve fina.

Às 5:20 AM, os primeiros projéteis explodiram. A coluna de tanques soviéticos havia se aproximado pela planície e não pela estrada. Muitos pilotos, devido ao barulho e ao caos no campo de pouso, não haviam ainda percebido o que estava acontecendo, até mesmo quando dois Junkers 52 foram atingidos e incendiaram-se. O próprio Fiebig deu as ordens pelo rádio: "Decolem, vão para Novocherkassk!". Os pilotos não perderam um minuto sequer: "O vôo de Tatsinskaya" havia começado. Considerando a confusão anterior, havia de fato muito pouco pânico enquanto as aeronaves decolavam ordenadamente em fila, apesar das crescentes baixas registradas. Para os T-34 russos, era como um campo de tiro ao alvo, um tanque abalroou um dos transportes que taxiava na pista de decolagem, a explosão consumiu ambos. Outras numerosas aeronaves colidiram com aviões estacionados na pista ou recebiam tiros diretos dos blindados. A visibilidade estava ficando pior a cada minuto, com as colunas de fumaça se misturando a névoa, e os aviões restantes tinham que negociar sua passagem através dos amontoados de destroços flamejantes. Finalmente às 6:15, o avião do General Fiebig, um dos últimos a decolar, estava no ar. No somatório final, 108 trimotores Ju-52 e 16 Ju-86 de treino foram salvos, mas a perda de 72 aeronaves representou baixa da ordem de 10% no total de transportes da Luftwaffe.

Badanov, após seu avanço relâmpago, encontrou-se isolado por cinco dias, martelado impiedosamente e sem munição. Apesar disso, Stalin estava satisfeitíssimo com sua performance: a formação foi renomeada como 2º Corpo Blindado de Guardas e Badanov foi o primeiro a receber a recém-criada Ordem de Suvorov. A propaganda do Exército Vermelho clamara que seus tanques haviam destruído 431 aeronaves, mas este era um típico exagero. O resultado importante, entretanto, foi que o campo de Tatsinskaya não foi mais utilizado para missões de transporte novamente. A Luftwaffe teve que recuar para diversos outros campos provisórios, mais distantes da cidade sitiada.

O resultado da missão de resgate de Hoth já havia sido decidido. A ameaça ao flanco do Grupo de Exércitos do Don, e a possibilidade de um avanço em direção a Rostov (aparentemente confirmada pelo interrogatório de um oficial do 3º Exército de Guardas, capturado no dia 20 de dezembro), forçou Manstein a reconsiderar toda a sua posição. As divisões panzer em Myshkova estavam também recebendo pesado fogo de bateria, com a 6ª Divisão Panzer perdendo 1.100 homens em um único dia. Na noite de 23 de dezembro, o Corpo Panzer de Hoth recebeu ordens de recuar, sem qualquer explicação. "Para a maioria dos oficiais juniores estava absolutamente claro que isto significava a derrota de Stalingrado. Embora ninguém soubesse exatamente as razões por trás das ordens, todos tínhamos certeza que algo de muito ruim havia acontecido.", escreveu o General Raus.

Naquela mesma noite, Paulus e Manstein discutiram suas posições em uma conferência realizada por teleprinter. Manstein advertiu que o 4º Exército Panzer havia encontrado resistência pesada e que as tropas italianas no flanco norte tinham entrado em colapso. Paulus perguntou se ele finalmente recebera permissão para romper o cerco e recuar, ao qual Manstein respondeu que ainda não obtivera aceitação do supremo quartel-general. Manstein claramente economizava os detalhes, se Paulus tivesse recebido informações suficientes para atualizar seu mapa de operações, ele veria que o Sexto Exército estava além de qualquer ajuda.

Fonte deste artigo: Stalingrad - Antony Beevor - Penguin


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Artigos do Front : Stalingrado, parte V

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Mapa da ofensiva alemã e contra-ofensiva russa


A artilharia soviética cobrou pesado tributo dos tanques de Hoth


Um JU-52 decola de Tazi antes da chegada de Badanov


O General Rokossovsky junto às tropas


Um regimento russo próximo a Verkhne-Kumsky