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Artigo selecionado

Um Samurai não pode Falhar
O Exército Imperial Japonês na 2ª Guerra Mundial - Parte I

A Senda do Samurai - O código de comportamento para o guerreiro samurai ideal talvez seja descrito da melhor e mais sucinta forma no livro do século XVII de Yamamoto Tsunetomo, O Hagakure (ou As páginas ocultas). Atualmente esgotado em Inglês, o livro permanece disponível em diversas edições no Japão por quase quatrocentos anos.

O livro não é um tomo religioso. Ele contém instruções para seguir A Senda, não importa qual a religião que o pretendente a samurai pratica (como colocou um tradutor, Tsunetomo não se importava tanto em que nuvens o jovem teria sua cabeça, mas sim “onde ele planta seus pés”).

As três características essenciais do samurai são coragem, lealdade e compaixão. Mas, naturalmente, mesmo no Japão de 400 anos atrás a vida era complexa, e Tsunetomo reconhecia que a coragem em um dado sentido podia ser vista como covardia em outro, lealdade para um ideal podia significar o abandono em outros, e compaixão para com alguns poderia acabar em crueldade para com outros. O teste basilar estava incorporado no poema tradicional:

Dizer aos outros que
É um boato
Não adianta.
Quando seu próprio coração pergunta,
Como você responderá?

Ele escreveu: se uma pessoa olhar profundamente dentro de seu coração com a frase acima, não haverá locais ocultos. É um bom examinador. Uma pessoa deve ser de mente tal que, encontrando este examinador, não ficará embaraçado.

Esta simplicidade direta é mantida ao longo de todo o livro. Nos seus trechos iniciais, ele define A Senda.

A Senda do Samurai pode ser encontrada na morte. Quando ela vem “para” ou “se”, só há a rápida escolha da morte. Não é particularmente difícil. Seja decidido e avance. Dizer que morrer sem alcançar o objetivo de uma pessoa é morrer a morte de um cão é o costume frívolo dos mundanos. Quando pressionado a escolher entre a vida e a morte, não é necessário saber o objetivo de uma pessoa.

Todos queremos viver. E em grande parte fazemos nossa lógica de acordo com o que gostamos. Mas tendo atingindo nosso objetivo e continuar a viver é covardia. Isto é uma tênue e perigosa linha. Morrer sem atingir o objetivo de uma pessoa é uma morte de cão e fanatismo. Mas não há vergonha nisso. Esta é a essência da Senda do Samurai. Se ajustarmos nossos corações todas as manhãs e noites, uma pessoa será capaz de viver como se seu corpo já estivesse morto, ganha liberdade na Senda. Toda sua vida será sem culpa e ele terá sucesso em sua vocação
.

Acima de tudo, A Senda é uma filosofia de ação. O estudo, discussão e contemplação certamente têm um lugar importante na vida, mas eles são para os tempos quietos em casa, na noite. Através do estudo da história e da filosofia uma pessoa ganha “a resolução prévia”, necessária para agir de forma apropriada, instantânea e decisiva na vida social. Considere as seguintes passagens com relação ao ataque a Pearl Harbor e a estratégia que os japoneses seguiram a partir de então:

Quando a hora chega, não é o momento para pensar. E se você não fez seu raciocínio antes, na maior parte das vezes haverá vergonha. Ler livros e ouvir as pessoas falando serve ao propósito de obter a sua resolução prévia.

Acima de tudo, a Senda do Samurai deve estar no conhecimento de que você não sabe o que irá acontecer em seguida e em questionar cada item dia e noite. Vitória e derrota são somente assuntos de forças de circunstâncias temporárias... Mesmo se parece certo que você vai perder, retalie. Nem a sabedoria nem a técnica têm lugar nisto. Um homem de verdade não pensa na vitória ou derrota. Ele mergulha afoitamente para frente, em direção a uma morte irracional. Fazendo isso, você irá acordar de seus sonhos....

A senda da vingança está simplesmente em forçar o caminho de uma pessoa até um lugar e então começar a matar. Não há vergonha nisso. Ao pensar que você deve completar uma tarefa, você irá ficar sem tempo. Ao considerar coisas como quantos homens o inimigo tem, o tempo se acumula; no fim, você desistirá.

Não importa que o inimigo tenha milhares de homens, há satisfação em simplesmente ficar na frente deles e estar determinado a matar todos eles, começando de um dos lados. Você acabará com grande parte disso.

Quando uma pessoa toma a decisão de matar outro, mesmo que seja extremamente difícil ser bem sucedido avançando direto em frente, pensar sobre como fazer isso por meio de uma longa e tortuosa via não dará certo. O coração de uma pessoa não deve abrandar, pois ele pode perder sua chance e no todo não haverá sucesso. A Senda do Samurai é uma de imediatismo e é melhor arremeter adiante.

Ao esperar conseguir a concordância de outros, um assunto como obter a vingança nunca será levado à uma conclusão. Uma pessoa deve ter a resolução de ir sozinha e mesmo de ser morta. Uma pessoa que discursa veementemente sobre obter a vingança, mas não faz nada sobre isso é um hipócrita. Pessoas espertas, usando só suas bocas, estão tomando cuidado de suas reputações para uma data posterior. Mas um verdadeiro resoluto é um homem que irá em segredo, não dizendo nada; e morrerá. Não é necessário atingir o objetivo; se é resoluto simplesmente sendo morto. Tal pessoa irá muito provavelmente atingir seu propósito.


E aqui está a fonte filosófica da carga banzai:

No campo de batalha, uma vez que o discernimento começa, ele não pode ser parado. Se romperá através do inimigo com discernimento ... Assim, se a pessoa estiver informada das táticas militares, deverá ter muitas dúvidas e a discussão nunca terminará.... não treine táticas militares

Aprender tais coisas como táticas militares é inútil. Se não se golpear simplesmente fechando os olhos e correndo para o inimigo, mesmo se for só um passo, a pessoa não servirá de nada.


E por fim, desde 1945, muitos ocidentais observaram que, quando visto de uma ampla perspectiva, a cerimônia [de rendição japonesa] no encouraçado americano Missouri não marcou tanto a rendição japonesa como significou uma mudança de linha de ação. Não surpreendentemente, obstinação, também, é um ponto central Da Senda.

Certamente não há nada mais do que o propósito único do momento presente. Toda a vida de um homem é uma sucessão de momento após momento. Se uma pessoa entende totalmente o momento, não haverá nada a fazer e nada mais a procurar. Viva sendo verdadeiro ao propósito único do momento.

Todos deixam o momento presente escapar, então procuram por ele como se ele estivesse em outro lugar Ninguém parece ter notado este fato. Mas compreendendo isso de forma segura, se acumulará experiência sobre experiência. Se uma vez vier a seu entendimento ele será uma pessoa diferente desse ponto em diante... Quando uma pessoa entende isto, colocando de forma bem obstinada, suas preocupações desaparecerão. A lealdade está contida dentro da obstinação
.

Ty Bomba

Geopolítica e Bushido

Sob o código guerreiro japonês do Bushido, o fracasso não existe; um samurai poderia vencer ou poderia morrer. Se o seu dever fosse impossível, ele meramente tentaria com maior zelo, acreditando que a morte honrosa é a maior de todas as vitórias. O Daí Nippon Teikoku Rikugun (abreviado para Kogun), ou o exército Imperial Japonês seguiu esta tradição na 2ª Guerra Mundial. Comprometeu-se com a vitória, mesmo a vitória suicida, primeiro na China e então contra a maior parte do resto do mundo.

Pela virada do século, os líderes japoneses debateram se deveriam devotar-se a ser um poderio terrestre ou naval. Por serem um povo insular, escolheram, não surpreendentemente, o poderio naval. Desta forma, o Kogun foi concebido para obter ganhos geográficos contra oponentes fracos, enquanto a marinha servia de dissuasor contra as frotas das potências ocidentais. Mas o Japão descartou esta estratégia de escudo naval ao atacar uma nação com uma marinha que mais do que igualava a sua própria – a Norte-Americana. Isto colocou o Kogun contra uma força terrestre que nunca deveria ter enfrentado.

O Império Japonês tinha gasto muito do século vinte “colecionando a China”, mas os Nacionalistas e Comunistas chineses, com a ajuda dos Estados Unidos e da Inglaterra, ainda resistiam e o Japão foi incapaz de conquistar as vastas extensões da China, ou subjugar o seu povo. Enquanto isso, a despeito do Pacto de Neutralidade, assinado em 13 de abril de 1941, a União Soviética também era uma ameaça potencial à vital satrapia industrial e agrícola de Mandchuko (Mandchúria).

Os líderes japoneses anteriormente tinham esperado uma invasão do Exército Vermelho por cerca de 40 divisões. Assim eles rapidamente expandiram o Kogun para defender suas possessões.

Crescimento do Kogun

AnoDivisõesEsquadrões (10 aviões)
193724-
19383470
19393994
194050116
194151133


Apesar de sua base populacional certamente ter permitido esse crescimento, o comando japonês temia que o Kogun só teria ficado mais fraco se ele se expandisse muito além de seu tamanho de 1941. O Japão carecia dos recursos naturais para suportar uma grande força militar. Seus estoques continham 1.170 milhões de litros de combustível de aviação e 4.430 milhões de litros de óleos pesados. Somente as operações na China consumiam 150 milhões de litros de gasolina de aviação e 1.050 milhões de litros de óleo por ano. E praticamente todo o petróleo do Japão era importado.

O Japão nunca ficaria livre para exercer seus plenos poderes, até que ele se livrasse do atoleiro na China. A Indochina francesa tinha sido ocupada para contribuir com a derrota chinesa, ao apertar o laço do isolamento estratégico. Esta medida aumentou o sentimento anti-japonês nos Estados Unidos, contudo, e deu ao presidente Roosevelt mais liberdade para tomar contramedidas. Em 1º de agosto de 1941, os Estados Unidos impuseram um embargo de óleo e combustível ao Japão, como protesto pela ocupação da Indochina Francesa. A Inglaterra impôs sanções semelhantes e pressionou o Sião (que supria muito das importações de comida do Japão), para seguir os mesmos passos.

Tóquio estimou que o embargo permitia que sua força aérea poderia combater por um ano e sua frota por seis meses. Se o Japão fosse vencer a Guerra, portanto, ele tinha que lutar logo. De outra forma, o Ocidente os derrotariam sem ter que disparar um tiro. Assim, o Japão lançou com crescente zelo sua campanha para vencer sua guerra na China.

Organização e equipamento

Até o último minuto, o Japão continuou a acrescentar e modificar seus planos de acordo com a análise da Blitzkrieg de Hitler na Europa feita por seu alto-comando. O General de Exército Yamashita visitou a Alemanha e a Itália para observar as últimas técnicas da arte da Guerra. Seus relatórios encorajaram o Kogun a desenvolver armas avançadas, como pára-quedistas e tanques rápidos. Ele particularmente enfatizou o poderia aéreo como a chave para a guerra moderna. Pelo final de 1941, o Japão tinha 51 divisões do exército e 133 esquadrões de aviação. Suas brigadas independentes e unidades de guarnição somavam a força equivalente a cerca de mais trinta divisões.

As armas japoneses tendiam a ser rápidas, mas vulneráveis. Suas equipes de projetistas acreditavam que o terreno rugoso do Extremo Oriente tornava armas super-pesadas do Ocidente impráticas e a experiência na China tinha demonstrado a superioridade da mobilidade sobre o puro poder de fogo. Os tanques do Kogun, desta forma, portavam pouca blindagem e montavam canhões de menor calibre do que os carros de combate europeus. Por exemplo, o tanque tipo 95 levava um canhão de 37 mm, e o tipo 97 um canhão de 57 mm. Mesmo o apoio de artilharia de nível superior para suas forças blindadas usava somente canhões de 75 mm.

As tabelas de organização do Exército Japonês retratam excelentes unidades em potencial; o Kogun sofria, contudo, de fraquezas que não eram tão facilmente visíveis a partir do estudo dessas tabelas. Por um lado, o Bushido era um código que enfatizava a obediência cega à autoridade, mas que ainda assim elogiava a iniciativa de indivíduos determinados (“se algo será feito, ele pode ser feito”). Infelizmente para o Kogun, foi a primeira característica que veio a dominar as operações. O comando era rígido e ordens eram interpretadas de forma estrita, não importa quão fluída fosse a situação de combate.

Em segundo lugar, os serviços logísticos do Kogun mal existiam, pelos padrões ocidentais. As divisões de infantaria eram totalmente dependentes de animais de tração para o transporte. Isto forçava o Kogun a transportar seus homens e suprimentos por navios, o que amarrava estrategicamente o exército à marinha.

As divisões japonesas raramente recebiam recompletamentos no campo de batalha. Isto significava que sua força verdadeira flutuava amplamente. Divisões frescas muitas vezes derrotavam o dobro de seu número de tropas coloniais britânicas ou chinesas, mas durante longas campanhas terrestres as unidades japonesas tendiam a perder o ímpeto e desintegravam-se devido à falta de suprimentos e recompletamentos. Unidades enfraquecidas tendiam a tentar compensar a falta de homens gritando slogans como o “Corajoso Voto de Batalha”, feito em Iwo Jima. O voto continha, em parte: “agarraremos bombas e atacaremos os tanques inimigos e os destruiremos. Infiltraremos no meio do inimigo e os aniquilaremos... Cada homem deve fazer seu dever matar dez dos inimigos antes de morrer”.

O Sopra o Vento do Oriente

A esperança de vitória do Japão estava na sua frota e força aérea. Uma vez que estas controlassem os oceanos e céus, o Kogun poderia desembarcar para consolidar sua vitória. Tóquio decidiu tomar os pontos fortes anglo-americanos na Malásia e Filipinas imediatamente, para ganhar a necessária superioridade aérea/naval. Simultaneamente com a tomada dessas áreas-chave centrais, o Kogun conquistaria outros lugares para servir como bases ou blocos estratégicos: Guam, Hong Kong, Birmânia, Java, Sumatra, as Célebes, Bornéu, as Ilhas Bismark, o Timor Holandês e uma variedade de ilhas menores.

Estas operações também serviriam para dar ao Japão o controle sobre os recursos petrolíferos de Bornéu e Java. E o Kogun, ao tomar Burma, iria cortar a linha de suprimento aliada para Chiang Kai-Shek, contribuindo assim ainda mais para o isolamento estratégico do inimigo e reduzindo a habilidade de luta do Exército Nacionalista.

O Kogun reuniu as seguintes forças para lançar a grande ofensiva do sul:

Comando dos Exércitos do Sul (Tóquio), General Hisichi Terauchi

14º Exército, sediado no Japão. Objetivo - Filipinas e Formosa. 15ª e 48ª divisões de infantaria, 65ª brigada de infantaria [o comando japonês esperava enfrentar 160.000 infantes e 160 aviões aliados nessas posições].

15º Exército, sediado na Indochina. Objetivo - Sião e Burma. 33ª e 55ª divisões de infantaria [o comando japonês esperava enfrentar 35.000 infantes e 50 aviões aliados nessas posições].

16º Exército, sediado no Japão. Objetivo – Índias Orientais. 2ª ª divisão de infantaria e 56ª brigada de Infantaria [o comando japonês esperava enfrentar 70.000 infantes aliados nessa posição].

25º Exército, sediado na China Meridional. Objetivo Malásia. A divisão da Guarda Imperial, 5ª e 18ª divisões de infantaria [o comando japonês esperava enfrentar 80.000 infantes aliados nessa posição].

Apoio aéreo:
Terceiro Exército do Ar (Indochina) – 430 aviões;
Quinto Exército do Ar (Formosa) – 150 aviões;

Reserva geral: 21 brigadas de infantaria, 4 brigadas de tanques, 9 regimentos de tanques.

Fonte deste artigo: Thomas M. Kane, Command Magazine, vol. 3


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