Desembarque em Tarawa - Parte II
A chegada das companhias às praias, no que foi o primeiro desembarque dos marines contra posições fortemente defendidas.
O 2º Batalhão do 8º de Fuzileiros Navais teve melhor sorte. Foi quem mais se beneficiou do fogo dos destróieres disparado da lagoa e que fustigou a Vermelha 3 sem parar até as 09h10. Os primeiros LVT saíram da água sete minutos mais tarde, sendo logo seguidos pelos LVT-2 mais velozes das segunda e terceira levas. Dois dos tratores dianteiros encontraram uma brecha na muralha marítima e prosseguiram para o interior da ilha até chegarem à pista de taxiagem do aeródromo, onde os homens da Companhia "E" se espalharam em volta e tomaram posições de defesa. O resto da Companhia "E", a Companhia "F" e um pelotão da Companhia "G", o elemento de assalto em tratores de 522 homens sofreram menos de 25 baixas no desembarque. Quando os LVT retornaram ao mar, muitos recuaram de ré pela praia para manter suas cabinas voltadas para o interior, pois os japoneses aos poucos se recuperavam do bombardeio preliminar e o volume e o ritmo do fogo defensivo estavam aumentando na praia leste. No interior, os fuzileiros navais do 2/8 atacavam casamatas e posições de canhões, terminando assim o breve feriado na Vermelha 3. A Vermelha 3 foi o último lugar em Betio onde as levas de assalto conseguiram desembarcar sem dificuldades. No centro, à altura da Vermelha 2, o fogo inimigo era mortífero.
Vários tratores que levavam homens do 2/2 foram atingidos pela artilharia e pelos canhões antibarcos; motoristas mortos e feridos caíam sobre os controles e os sobreviventes tiveram de saltar para as águas rasas e vadear até a praia, sob o fogo de metralhadoras. Para os que conseguiram chegar a Betio nos LVT, a praia não oferecia mais segurança que o recife.
A primeira leva de tratores anfíbios tocou as praias às 09h23. e os fuzileiros, ao saltarem pelos costados, foram imediatamente atacados pelo fogo de armas portáteis disparadas pela frente e nos flancos. Dois pelotões da Companhia "E" desembarcaram na metade direita da Vermelha 2 e muito pouco puderam avançar para o interior contra o fogo intenso; as baixas entre oficiais e praças graduados aumentaram alarmantemente.
O pelotão restante da Companhia "E" desembarcou na extrema esquerda da Vermelha 1, transpôs a muralha marítima e logrou destruir um ponto forte japonês, a despeito do seu fogo mortífero. Então, o comandante do pelotão tombou e o que restava dos homens abrigou-se num grande buraco feito por granada.
No centro esquerdo da Vermelha 2, a Companhia "F" perdeu cerca de metade dos seus efetivos desde o momento que pisou na praia até transpor a muralha maritíma. Os sobreviventes instalaram uma série de posições que foram ocupadas por pequenos grupos de fuzileiros e atiradores, localizadas a uns 50 m da beira do mar. Naquela manhã não houve contato com a Companhia "E" à direita; os rádios enguiçaram e os corredores eram presas fáceis dos tocaieiros inimigos.
A maior parte da companhia que desfechou o terceiro assalto, a "G", desembarcou entre as áreas ocupadas pelas outras duas, sofrendo sérias perdas para chegar à praia e ao abrigo da barricada de troncos de segurança duvidosa. A estreita faixa de areia já estava repleta de baixas; os homens usavam a muralha como parapeito de tiro e os remanescentes dos grupos de Q-G tentavam estabelecer alguma forma de controle naquelas condições caóticas da primeira hora de luta em terra.
Houve muitos atos heróicos nessa luta confusa das praias, sendo que alguns homens chegaram a sobressair, como aconteceu com o Segundo-sargento William Bordelon, do Texas, engenheiro de assalto do 1/18. Seu trator foi avariado a caminho da praia e somente quatro homens sobreviveram ao bombardeio inimigo. Bordelon desembarcou-os e imediatamente preparou duas cargas de demolição e mandou pelos ares duas casamatas que estavam atirando contra os tratores. Ao atacar uma terceira posição, foi atingido por fogo de metralhadora, mas continuou em seu avanço, usando um fuzil para dar fogo de cobertura aos outros fuzileiros navais que escalavam a muralha marítima. Despachando com sinais os que queriam tratar seus ferimentos, correu para a água a fim de recolher um fuzileiro naval ferido que pedia socorro e ainda ajudou outro homem a chegar a terra quando voltava à praia. Sem uma pausa sequer, preparou outra carga de demolição e, sozinho, investiu contra um embasamento japonês. A essa altura, os artilheiros inimigos derrubaram o incrível sargento, que veio a receber postumamente a "Medalha de Honra", sendo o primeiro dos quatro fuzileiros navais da 2ª Divisão a conquistar a mais alta condecoração do seu pais em Tarawa.
Um complexo de embasamentos japoneses repletos de canhões antibarcos e metralhadoras, localizado perto dos limites entre a Vermelha 1 e Vermelha 2, foi uma das principais causas de um infeliz desembarque na Vermelha 1 pelo 3º Batalhão do 2º de Fuzileiros Navais. A Companhia "K", unidade de assalto da esquerda, foi bastante massacrada; vários dos seus tratores foram destruídos e os homens eram estraçalhados quando vadeavam para terra. À direita, a Companhia "I", cujo desembarque se deu por volta das 09h10, não foi tão atingida na água, mas muitos dos seus homens, incluindo o próprio comandante, foram mortos quando atacaram para o interior. O fogo partia dos pontos fortes do flanco esquerdo, de posições inimigas frontais e da praia Verde, a extremidade oeste da ilha. As perdas aumentaram de modo alarmante, mas alguns reforços inesperados desembarcaram atrás das levas de assalto. O fogo devastador da posição japonesa situada no limite da praia obrigou os LVT que transportavam um pelotão da Companhia "G" do 2/2 a desembarcar à direita da Vermelha 1, onde ele entrou na furiosa batalha.
Em cada uma das formações de desembarque, o comandante do batalhão e parte do seu grupo de Q-G estavam num barco livre entre a terceira e quarta levas, prontos para desembarcar caso as circunstâncias o justificassem. Cada um desses homens chegou a Betio de um modo diferente, o que ilustrou os horrendos trabalhos daquela manhã. Um deles conseguiu chegar à praia ileso; outro foi levado por um grupo de enterro; e o terceiro desembarcou na praia errada e só chegou à sua unidade no Dia-"D" + 1.
Ao largo da Vermelha 3, o Major Henry "Jim'' Crowe ex-praça de espessos bigodes ruivos e voz tonitruante, viu que seu LCM não conseguiria chegar à praia e por isso não esperou que um LVT voltasse para pegá-lo. Mandando seu timoneiro baixar a rampa do barco e seus homens espalharem-se, o major conduziu seu grupo de Q-G para a praia e, com a coragem que lhe era característica, chegou à Vermelha 3 apenas quatro minutos depois da terceira leva de assalto de LVT-2. O fogo inimigo na Vermelha 3 ainda não era muito violento, graças ao destróieres, mas o grupo de Crowe
foi o último a vadear ou chegar nos tratores sem ser estraçalhado pelo fogo japonês.
O Tenente-coronel Herbert Amey, um oficial alto e simpático que comandava o 2/2, foi morto na tentativa de chegar a Betio. Ele chamara dois LVT que retornavam da praia e transferiu seu elemento de Q-G para os mesmos. Então, estando seu trator a uns 200 m da terra, teve a passagem impedida por um alambrado e todos, cerca de 15 oficiais e soldados, desembarcaram para iniciar a perigosa caminhada. Logo uma fuzilaria de fogo de metralhadora derrubou Amey e três dos seus homens, o restante avançou lentamente em busca de proteção atrás de um barco destruído e ali o Tenente-Coronel Walter Jordan, observador da 4ª Divisão de Fuzileiros Navais e oficial mais graduado presente, anunciou que estava assumindo o comando até que o oficial executivo do batalhão, Major Howard Rice, pudesse desembarcar. Tornando a avançar, a despeito do fogo mortífero, o grupo de Jordan chegou à praia por volta das 10h e pôs-se a procurar uma cratera de granada em meio aquela terrível cena de carnificina e destruição. Todos os rádios do Q-G estavam enguiçados, avariados pelo fogo inimigo ou pela imersão na água do mar. Quando os estafetas das três companhias de fuzileiros encontraram o grupo de comando entregaram mensagens bastante sombrias e às quais eles acrescentaram as noticias de baixas incapacitadoras, avanço muito lento e nenhuma frente contínua.
A situação na Vermelha 1 era pouco menos dramática do que na praia do centro, mas nenhum dos comandantes seniores sabia disso. A água do mar prejudicara os rádios do batalhão e o contato com o resto da divisão era, na melhor das hipóteses, esporádico. Isto não deteve o oficial que permaneceu no comando das tropas na ponta norte de Betio. O Major Michael Ryan passou a dirigir a Companhia "L" , que compunha a maior parte da quarta leva. Quando seu barco se aproximou do recife, ele viu que a área este estava juncada de tratores destruídos e fumegantes, a maioria deles à esquerda do local em que a Companhia "K" desembarcara. Alguns homens estavam a pé e encaminhavam-se para o interior do lado direito da praia, perto do bico da ilha. Ryan, portanto, mandou que a barcaça de desembarque se dirigisse para a direita, a oeste do casco de um navio japonês destruído que estava ali sobre o recife, e fosse para a praia.
Os LCVP acostaram no coral situado a uns 500 m da costa e os homens iniciaram a longa caminhada, sob a explosão contínua de granadas e o fogo de metralhadora varrendo as colunas. O major tomou um LVT que voltava da praia, embarcou e ordenou seu regresso para terra. Quando desembarcou, olhou para trás e o que viu eram cabeças com os fuzis erguidos acima da água. Muitos dos seus homens, tentando expor-se o mínimo possível, estavam agachados dentro da água, avançando sempre. A uns 100 ou 150 m de distância, o recife era mais alto e a água não dava muita proteção. Ali, os homens apertaram um pouco o passo, mas não houve trégua do fogo inimigo e os infelizes fuzileiros navais tombavam por todo lado. Quando a Companhia "L" e seu pelotão de morteiros de 81 mm chegaram à praia, a quarta leva já havia sofrido 35 por cento de baixas. O Comandante do batalhão 3/2, Major John Schoettel, estava ocupado enquanto Ryan e seus homens dirigiam-se para a praia. Ele avistara alguns LCM, que transportavam tanques médios destinados à Vermelha 1, e que começavam a afastar-se da borda do recife, e mandou-os inverter o curso e desembarcar os tanques. Então, enquanto os tanques médios acompanhavam com cautela os guias até a praia, Schoettel procurou avaliar a situação do restante do seu batalhão que ainda esperava nos barcos ao largo. Poucos LVT estavam voltando da Vermelha 1; o longo trecho de água ao largo da praia estava pontilhado de destroços de veículos e cadáveres de fuzileiros navais flutuavam por toda parte. Era evidente que o fogo japonês estava cobrando um tributo muito pesado aos homens de Ryan pela sua travessia. Diante das circunstâncias, o Major Schoettel decidiu afinal suspender o desembarque do resto do 3º Batalhão.
As 09h50, Schoettel radiografou a Shoup: "Tropas detidas no recife no flanco direito da Vermelha 1; soldados intensamente alvejados na água". Shoup respondeu: "Desembarque na Vermelha 2 e dirija-se para oeste". A resposta nada tinha de animadora: "Não temos condições para desembarcar".
Durante algumas horas Schoettel e o que restou dos seus homens ficaram ao largo do recife enquanto que os remanescentes vivos da Vermelha 1 eram do grupo dos tratores e que haviam sido impelidos das faixas de desembarque da Vermelha 2, para oeste, pelo fogo dos pontos fortes da junção das Vermelhas 1 e 2. Finalmente, às 14h58, quando o Major Schoettel informou estar sem contato com suas unidades de assalto e ainda não desembarcara o resto do seu batalhão, o comandante da divisão interferiu na entrega da mensagem para o comandante do 3/2 e ordenou: "Desembarque a qualquer preço, recupere o controle do batalhão e continue o ataque". Schoettel e seus homens, obedecendo às primeiras ordens do Coronel Shoup, desembarcaram na Vermelha 2, no fim daquela tarde.
Esta ação secundária não surtiu grande efeito sobre o curso das operações em terra, mas aumentou a ansiedade concernente ao destino do 3/2. A dificuldade em manter contato com a cabeça-de-praia leste - pois havia duas diferentes cabeças-de-praia em Betio - era comum em outras partes da ilha. Os dois rádios com que os fuzileiros navais contavam eram aparelhos de baixa potência: o TBX tinha penetração um pouco maior que o TBY, mas este freqüentemente enguiçava quando molhado. Assim, houve muitos momentos em terra em que o único meio de comunicação resumia-se aos estafetas ou ao telégrafo, que constituíam, entretanto, presas fáceis para os tocaieiros e atiradores inimigos. Ao largo, os comandantes muitas vezes ficavam sem noção dos acontecimentos que se desenrolavam em Betio; os relatórios dos observadores aéreos sobre eles, embora úteis, sem dúvida não podiam dizer ao General Smith ou ao Almirante Hill quem estava fazendo as coisas que viam. Por isso, foi despachado um fluxo constante de mensageiros e observadores oficiais para terra a fim de averiguar a real situação.
Porém, o número de mensagens radiofônicas fora suficiente para o Coronel Shoup resolver encarregar-se das operações de assalto ao tentar decidir a própria sorte no desembarque em Betio. O grupo de Q-G do 2º Grupo de Combate, embarcado num LCVP, chegou ao recife perto do cais justamente quando os tratores anfíbios voltavam das praias. Shoup chamou um LVT que levava feridos da Vermelha 2 para os transportes e mandou que os transferisse para seu barco. Em seguida, embarcou no trator, levando junto um pequeno grupo de que fazia parte seu oficial de operações e o médico do regimento, um observador, o Tenente-Coronel Evans Carlson, e o oficial-comandante do batalhão de artilharia do grupo (1/10), Tenente-coronel Presley Rixey.
Após uma tentativa de desembarque na Vermelha 3, fracassada diante do pesado fogo inimigo, o LVT de Shoup dirigiu-se para a praia central. Os japoneses não estavam dispostos a permitir que o trator desembarcasse também na Vermelha 2. Uma saraivada de fragmentos de granada desencadeou sobre seus ocupantes e então, a meio caminho para a praia. Shoup lembra, "um rapaz chamado White foi atingido, o LVT ficou avariado e o motorista caiu na água". "Vamos sair daqui", coronel, e agindo incontinenti fez o grupo de comando desembarcar a vadear em busca de abrigo no cais, cuja estrutura de madeira com alguns trechos de rocha de coral oferecia certa proteção contra os mortíferos canhões japoneses.
Foi quando se dirigia para Betio que Shoup, às 09h58, mandou seu batalhão de reserva, o 1/2, desembarcar na Vermelha 2. Quando esta unidade, comandada pelo Major Wood Kyle, chegou ao recife, por volta das 10h30 teve conhecimento através de um comandante de flotilha de barcos da marinha que nenhuma barcaça de desembarque podia chegar à ilha e que seus homens teriam de transferir-se para os tratores. Um número suficiente de LVT sobrevivera ao desembarque inicial e ao retorno pelas águas varridas pelo fogo para desembarcar as Companhias "A" e "B". A Companhia "C" açabou encontrando tratores suficientes por volta do meio-dia para seu desembarque, o mesmo não acontecendo, porém, com o resto do batalhão. O Q-G da Companhia ficou em seus barcos sob o comando do oficial executivo do batalhão, à espera do momento propício para o desembarque. Muito embora Kyle tivesse a sorte de conseguir os tratores necessários para efetuar o desembarque de suas companhias de fuzileiros, nem assim escaparam eles aos efeitos da ininterrupta fuzilaria inimiga. Alguns LVT foram atingidos e seus ocupantes foram dizimados no vadear para terra.
Uma vez mais, o complexo de defesa do flanco direito da Vermelha 2 produziu um fogo certeiro de tamanha intensidade, que chegou a romper as formações de desembarque e obrigou os tratores que transportavam boa parte do 1º Batalhão, quatro oficiais e 110 soldados, a se desviarem para oeste e desembarcar na cabeça-de-praia dirigida pelo Major Ryan. Este, por sua vez, devido à posição japonesa, já havia recebido um pelotão de fuzileiros e dois de metralhadores do 2/2 pelo mesmo caminho e pela mesma razão, e razoavelmente podia, por uma lógica aliás deturpada, ser grato aos artilheiros inimigos. Seu próprio batalhão sofrera tantas baixas, quase 50 por cento dos efetivos das unidades de assalto, durante a luta da manhã, que todos e quaisquer reforços eram muito bem-vindos.
O problema concernente aos reforços também preocupava o comandante da divisão. Assim que o Coronel Shoup lançou em combate o grupo do Major Kyle, o General Smith ordenou ao Coronel Elmer Hall, comandante do 8º de Fuzileiros Navais, o envio de seu 3º Batalhão para a linha de partida, a fim de se apresentar a Shoup. Às 11h30, ao entrar em contato com o coronel, o comandante do 3/8, Major Robert H. Rudd, recebeu ordens de desembarcar sua unidade para dar apoio ao batalhão do Major Crowe. Quando as primeiras levas de Ruud chegaram ao recife, não havia tratores disponíveis e os fuzileiros navais das Companhias “K” e “L” tiveram de descer as rampas dos seus barcos e enfrentar a barreira de fogo inimigo. E quando os japoneses começavam a acertar seus alvos, alguns dos homens, sobrecarregados de apetrechos de combate, pisavam em buracos profundos no recife e ali caíam, afogando-se antes mesmo de ser atingidos.
Para o restante dos homens das duas companhias, a longa caminhada de 700 m com água chegando a altura dos ombros, depois pela cintura e pelos joelhos, foi horrível e inesquecível. Shoup e seu estado-maior, da sua posição no cais, podiam ver a terrível carnificina e acenavam para os homens do 3/8 mais próximos chamando-os para a proteção parcial que o cais oferecia. Alguns fuzileiros navais viram os oficiais acenar freneticamente e lograram alcançar o cais, totalmente abalados pela experiência sofrida. Os demais continuaram avançando com grande dificuldade para a praia, abrindo caminho pela água já tinta de sangue, açoitada por explosões de granadas e riscadas pelo fogo de metralhadora.
Fragmentos de corpos jaziam espalhados por toda parte; os feridos que ainda podiam andar sozinhos continuavam avançando; os que não podiam locomover-se recebiam ajuda dos que estavam por perto, e até estes homens muitas vezes também eram atingidos antes que pudessem chegar à praia. Somente uns 100 homens. 30 por cento da primeira leva, chegaram a Betio ilesos.
Os fuzileiros navais das segunda e terceiras levas do grupo de Ruud podiam ver o que estava acontecendo quando também partiram para a praia. Seus comandantes decidiram avançar pelo cais e os barcos descarregaram ali. Quando os homens caminhavam pelas armações, alguns se deslocavam sob o cais para o lado da Vermelha 2, mas o fogo inimigo também era intenso ali.
O Major Ruud, que perdera o contato pelo rádio com o Coronel Shoup, informou ao Coronel Hall que sua terceira leva fora "praticamente eliminada" em seu desembarque, e a quarta se afastara da extremidade do cais depois de desembarcar alguns homens.
Os japoneses, atraídos pelo alvo tentador que os barcos representavam, haviam concentrado seu fogo sobre o cais e assim conseguindo desorganizar consideravelmente a quarta leva. Quando Ruud afastou seus barcos do alcance do fogo das armas portáteis inimigas para se reagrupar, ele recebeu uma mensagem do subcomandante da divisão, General-de-Brigada Leo Hermle, que estava a bordo do transporte Monrovia com o Coronel Hall, para "não desembarcar mais tropas até receber novas ordens".
Neste ponto, já era perto do meio-dia, o Coronel Shoup chegara a Betio e escolhera um local para estabelecer o posto de comando perto do centro da parte da Vermelha 2 ocupada pelos fuzileiros navais. Seu Q-G estava situado no lado da praia de um grande bunker japonês coberto de areia que dava certa proteção contra o fogo inimigo. O comandante do grupo de combate tinha agora melhores condições para observar os acontecimentos em Betio e o quadro que fez não era nada encorajador. Só o 2/8 do Major Crowe parecia estar em melhor forma; ocupava maior extensão de território, com posições avançadas perto do aeródromo e seus homens, em alguns lugares, estavam a quase 200 m para o interior. O Tenente-Coronel Jordans a quem Shoup mandara conservar o comando do 2/2, pôde informar que seus fuzileiros navais tinham um frágil domínio de uma cabeça-de-praia de posições espalhadas com apenas 75 m de profundidade, fato este que o comandante do regimento podia verificar facilmente, pois seu PC era repetidamente alvo de fogo de tocaieiros. Quanto ao 3/2, Shoup sabia, pelos relatórios que recebera de Schoettel e através das mensagens que haviam chegado do Marylands que os fuzileiros navais estavam em terra, na parte ocidental da ilha. Esta era toda a informação que tinha concernente à situação do seu 3º Batalhão.
Os dois batalhões de reforço, que estavam desembarcando em maior número de efetivos durante todo o período até o meio-dia, iriam ser de grande ajuda. Os homens de Kyle foram lançados à linha de frente perto do cais à esquerda do 2/2 assim que chegaram em terra. À medida que os fuzileiros navais do 3/8 chegavam em pequenos grupos, eram imediatamente postos sob o comando do Major Crowe, que os empregava para reforçar suas próprias linhas. Em muitos casos, os que chegaram depois estavam em piores condições do que os soldados das primeiras levas, pois haviam sofrido baixas maiores e estavam mais espalhados pela dispersão de unidades nos desembarques.
A despeito da natureza arriscada da luta e das sérias perdas de pessoal, Shoup exudava forte confiança, que permeava o seu PC. Às 12h30, não querendo confiar nos instáveis rádios que já lhe haviam falhado tantas vezes, o coronel resolveu mandar um oficial de volta ao navio de comando para dar aos comandantes da divisão e da força de ataque um relato de primeira mão da situação dos fuzileiros navais em Betio e expor o plano que formulara para capturar a ilha - atacar ao sul e a oeste para unir as duas cabeças-de-praia antes de tentar tomar a extremidade leste. Ignorando como ia a batalha na Vermelha 1, ele queria que todas as reservas disponíveis desembarcassem na Vermelha 2 onde poderia usá-las com a máxima vantagem. Ele escolheu o Tenente-Coronel Carlson para explicar a situação aos que estavam no Maryland e acrescentou: "Diga ao general e ao almirante que vamos ficar aqui e lutar até vencer". Apesar das baixas, os próximos dias provariam que ele tinha razão.
Fonte deste artigo: Shaw, Henry. Tarawa, nasce uma legenda. Renes, 1978.
Retorna à anterior
|

|