Os balcãs e as posições italianas
A situação política e militar da Itália em 1940 e a explosiva questão dos balcãs envolvendo o Eixo, a Grã-Bretanha e a URSS.
Mesmo após as vitórias alemãs de 1939 e 1940, os italianos não entraram em campanha senão depois de longas hesitações. Sob a influência do rei Vítor Manuel III, de Ciano e de Attólico, Mussolini tinha esperado até junho de 1940, e ainda não tinha lançado senão um pequeno ataque contra a fronteira dos Alpes, com intuito de formular as suas reivindicações territoriais aquando da conclusão do armistício com a França. Esta política, justificada pelo receio de ver a Itália, se não recebesse compensações, perder toda a liberdade de ação no domínio dos negócios estrangeiros, ao lado da Alemanha tornada toda-poderosa, e de passar assim à posição de Estado satélite, falhou
lamentavelmente. Hitler não aprovou as reivindicações italianas. Por isso não é de admirar que Mussolini quisesse, desde então, fazer uma "guerra paralela" , em que não interviessem nem os blindados, nem os aviões alemães, e se deixasse persuadir por imperialistas como Galeazzo Ciano, Sebastiano Visconti-Prasca e Francesco Jomini, para se lançar numa aventura contra a Grã-Bretanha e a Grécia.
Esta concepção da "guerra paralela" devia ter consequências funestas, porque assentava em dois erros. Primeiro, contrariamente ao que pensava Mussolini, a decisão não era de modo algum intromissão entre a Alemanha e a Grã-Bretanha no verão de 1940. Segundo, as forças italianas não possuíam o poder ofensivo necessário para atingir o fim que Roma se propunha. Pela tonelagem e o armamento, a Esquadra era superior às duas esquadras britânicas do Mediterrâneo; no entanto, não possuía equipamentos para o ataque noturno e tinha uma falta crônica de combustível. Além disso, por causa da sabotagem, primeiro discreta, depois mais às claras, efetuada por certos almirantes, essa esquadra não podia antepor-se ao domínio marítimo das duas esquadras britânicas acima citadas. O Exército compunha-se duma massa pouco móvel de divisões biarticuladas e equipadas de maneira arcaica. Doze regimentos de cavalaria (com lanças, sabres e carabinas) e alguns batalhões de motociclistas deviam cumprir as missões atribuídas às tropas móveis.
A motorização estava ainda no seu começo. Em 1940 existiam apenas 74 carros de combate ("M 11-13") disponíveis. Faltavam graduados e a formação de oficiais era insuficiente. Desde o princípio, uma série de decisões infelizes comprometeu a situação militar. O marechal Pietro Badoglio, Capo di Stato Maggiore Generale, rejeitou a ideia de um ataque contra Malta, embora a tomada do arquipélago por surpresa oferecesse ainda probabilidades de êxito. Simultaneamente, o Comando Supremo esqueceu-se de barrar o estreito da Sicília com minas, o que era recomendável. O general Dobbie, Governador Geral de Malta, pôde, pois, transformar a ilha em posição-chave, onde os submarinos e aviões britânicos foram reunidos. Enquanto essas forças obrigavam os transportes entre a Metrópole e a Tripolitânia a efetuar longos cursos, a Esquadra de Alexandria (Cunningham) e a Força H (Somerville) de Gibraltar asseguravam a passagem quase ininterrupta de comboios ao longo da linha Gibraltar-Malta-Alexandria.
Quando os dois adversários se encontraram ao largo de Punta Stilo, no cumprimento da sua missão de proteção do comércio, Cunningham infligiu uma séria derrota aos italianos. A contenda demonstrou todos os defeitos da Esquadra italiana. No entanto, ainda que essa se mostrasse incapaz de conquistar a superioridade no Mare Nostrum, Mussolini quis tomar a ofensiva nos teatros de operações coloniais. Dois alvos se lhe ofereciam: o Egito e a Somália britânica. Mas o 1º Exército (Berti), na Líbia, não avançou até Marsa Matrouh. O comandante-chefe, o enérgico Ítalo Balbo, foi abatido pela sua própria AAA por cima de Tobruque, e o seu sucessor, o marechal Rodolfo Graziani, quis esperar a chegada de carros de combate modernos e a posse duma rota de transporte de água através do deserto. No intervalo, o corpo expedicionário do príncipe Amadeu de Sabóia ocupou a Somália quase sem combate, mas desguarneceu, assim, a Abissínia, onde um movimento de guerrilheiros, dirigido pelo coronel inglês Orde C. Wingate, procurou logo minar a dominação italiana.
A "guerra paralela" de Mussolini ofereceu também aos Britânicos a possibilidade de atuar de novo ofensivamente, mas era-lhes necessário primeiro reunir forças no solo africano. Em compensação, criou-se no Sudeste da Europa uma situação que eles podiam aproveitar sem empregar grandes meios. A tomada da Albânia tinha suscitado algumas perturbações entre os Iugoslavos e os Gregos, que desejavam anexar o pequeno reino. Além disso, sentiram-se ameaçados quando os italianos reforçaram a sua testa de ponte balcânica com 8 ou 10 divisões e ofereceram uma aliança militar à Bulgária. Não seria oportuno efetivar o entendimento entre Belgrado e Atenas. O rei Jorge VI e Churchill dirigiram, por isso, cartas ao regente da Iugoslávia, o príncipe Paulo. A garantia concedida pelos Britânicos à Grécia e os dois pactos de assistência que ligavam a Turquia, a Grã-Bretanha e a Grécia, podiam constituir um ponto de partida.
As propostas de Churchill não tinham por fim reforçar a garantia dada à Grécia; alguns meses antes, ele tinha tacitamente deixado no esquecimento uma obrigação análoga para com a Romênia, quando o Kremlin arrancou a Bessarábia e a Bucovina Setentrional a esse país. A sua política balcânica inspirava-se mais na primeira guerra mundial, em que o exército aliado da Macedônia tinha iniciado a fase decisiva do conflito. Tratava-se, por uma série de reveses cuidadosamente calculados, de ameaçar os interesses econômicos da Alemanha, para levar Hitler a opor-se a Mussolini e a Stalin nesta parte da Europa.
Esses interesses alemães diziam respeito, principalmente, ao petróleo romeno. O Reich tinha entrado em guerra com uma reserva de dois milhões e meio de toneladas somente, e a sua produção de petróleo sintético não tinha ultrapassado a de 1939 senão em 3,75 milhões de toneladas. Ora, durante o primeiro ano do conflito, a Wehrmacht consumiu 11,5 milhões de toneladas. A diferença devia ser compensada por importações vindas da Romênia, que não se efetuaram sem dificuldade, por causa da resistência das grandes refinarias, submetidas a influências inglesas, francesas, belgas e holandesas. O bloqueio do Danúbio pelo gelo durante algumas semanas e a falta, ainda mais sensível em 1940, de vagões-cisternas e de navios petroleiros, constituíram igualmente desvantagens. As mais graves dessas dificuldades desapareceram somente quando Ribbenttrop fez com que o antigo prefeito de Viena, Herman Neubacher, assinasse um novo acordo em Bucareste.
Baseada neste acordo, a Alemanha concedeu à Romênia armas apreendidas na Polônia, sobretudo canhões anticarros e antiaéreos, enquanto que a Romênia forneceu, em troca, a maior parte do petróleo que lhe pertencia legitimamente.
Para impedir essas concessões e provocar uma intervenção militar alemã capaz de despertar a cólera de Stalin, Churchill recorreu a providências ousadas. Mandou executar sabotagens pelo Serviço Secreto; a mais sensacional foi a tentativa para fazer saltar as Portas de Ferro. O cargueiro inglês Mardinian, que transportava uma tripulação composta de quarenta e dois especialistas, foi aportar em Sulina. Dois outros barcos, o Princess Elizabeth e o Lord Byron, assim como várias lanchas e rebocadores, transportaram os explosivos a empregar. Mas o Abwehr, prevenido das intenções britânicas, introduziu os seus agentes nas embarcações. Soldados, disfarçados em civis, do regimento "Brandeburgo", especialmente criado por Canaris para executar missões desse gênero, ocuparam a margem do Danúbio e obtiveram a prova de que as embarcações transportavam explosivos. As autoridades romenas, advertidas por eles, intervieram. As suas canhoneiras obrigaram os britânicos a se retirar.
Em certas circunstâncias, o boicote e as sabotagens dificultaram consideravelmente as exportações de petróleo, mas outras complicações, de caráter político, ameaçaram os interesses econômicos da Alemanha. A cessão da Bucovina Setentrional e da Bessarábia teve consequências quase catastróficas porque o que tinha parecido justificado para os Soviéticos, podia se-lo também para os Húngaros e os Búlgaros, que formularam igualmente pretensões acerca da Transilvânia e da Dobrudja. Os três países tomaram providências militares; a tensão cresceu dia a dia, tanto mais que se produziam constantemente incidentes na nova fronteira russo-romena. Molotov fez declarações ambíguas, enquanto a Agência "Tass" lançava violentos ataques contra o rei Carol II e o seu primeiro-ministro, Ion Gigurtu. Este procurou o apoio da Alemanha. Explicaram-lhe que não podia efetuar-se o entendimento sem que Bucareste e Budapeste se pusessem previamente de acordo. Receando ver estourar nesta parte da Europa um conflito que teria privado o Reich das suas importações vitais de petróleo, Hitler decidiu atuar como mediador. Reuniu tropas e encarregou Ribbentrop de convidar para Viena os ministros dos Negócios Estrangeiros da Itália, da Romênia e da Hungria. Diplomatas alemães prepararam duas propostas da compromisso, que Hitler fundiu numa só e enviou como diretriz a Ribbentrop. A 30 de Agosto de 1940, em Viena, Ribbentrop e Ciano, tomando essa diretriz por base, procederam a uma arbitragem. A Hungria recebeu a Transilvânia Setentrional, o que não a satisfez, porque esperava mais, mas a Romênia não venceria jamais a amargura que essas novas amputações territoriais lhe causavam.
O anúncio de que um outro tratado seria assinado com Sofia, desencadeou graves perturbações. O país despertou da sua longa apatia. Algumas semanas antes, o Governo de Bucareste tinha respondido às exigências dos seus vizinhos: "Nici o brazda!" (Nem um palmo!). Mas a grande Romênia ficava daí em diante mutilada. Houve manifestações, tumultos, tentativas de rebelião, fuzilamentos. Os legionários da Guarda de Ferro extremista reclamaram com violência o Poder para o antigo professor universitário Horia Sima. Ainda com mais veemência se elevaram vozes contra Elena Lumscu, amante do rei, a quem tornavam responsável por intrigas da corte, escândalos econômicos, perseguições políticas e crimes jurídicos, que envenenaram a atmosfera durante dois anos. A senhora Lupescu não tornou a inspirar ao monarca uma atitude de firmeza e ele encontrou-se completamente desamparado quando o Ministério de Gigurtu se demitiu.
Em certo momento teve a ideia de abdicar, depois pensou em chamar para o Governo Horia Sima, o inimigo encarniçado da sua amante. No entanto, Valeriu Pop e Ernest Urdareanu convenceram-no a convidar pnmeiro Ion Antonesco. Este enérgico general tinha sido banido, com residência fixa no convento de Bistritz, alguns meses antes, por instigação da senhora Lupescu. Um decreto real atribuiu-lhe "os poderes absolutos para governar o Estado romeno". Como não podia ser formado um governo sólido, porque todos os partidos reclamavam a abdicação de Carol, Antonesco apresentou-lhe um ultimato. A 6 de Setembro de 1940, o rei renunciou, pela 5ª vez, ao trono. Uma tentativa da senhora Lupescu para o substituir pelo herdeiro real falhou.
Enquanto Antonesco colocava no trono o príncipe Michel, então de 18 anos, Carol e Elena Lupescu fugiram para a Iugoslávia sob os tiros de fuzil dos legionários e dos soldados romenos. Antonesco constituiu um Ministério no qual dois membros eminentes da Guarda de Ferro, Horia Sima e o príncipe Mihai Sturza, receberam as duas mais importantes pastas. Assinou um tratado que cedia a Dobrudja Meridional à Bulgária, suavizou a miséria dos refugiados e mobilizou o Exército romeno. A 14 de setembro, o chefe de estado recebeu o general Kurt von Tippelskirch, ao qual declarou que, na sua opinião, era inevitável uma guerra entre a Alemanha e a União Soviética. Simultaneamente, discutiu com ele a ida duma missão militar à Roménia. O rei Carol tinha já solicitado o envio de um Estado-Maior e de várias "unidades de instrução". O general Erik Hansen foi nomeado chefe dessa missão. Ocupou logo o seu quartel-general, mas os seus instrutores foram chegando lentamente. Em meados de novembro, tinha no país uma divisão alemã e diversos destacamentos da Luftwaffe.
Três missões se juntaram a essas forças, segundo uma nota do OKW, com o fim de proteger "a região petrolífera contra o ataque de uma terceira potência" e pôr "as forças armadas romenas em estado de desempenhar certas tarefas", preparar certas operações para o caso da Alemanha se ver "constrangida a um conflito com a União Soviética".
Essas "tropas de instrução" alemãs tiveram uma importância súbita quando Mussolini atacou a Grécia, a 28 de Outubro, porque Churchill prometeu ao Governo de Atenas todo o apoio que esse governo precisasse. Três esquadrilhas de bombardeiros britânicos estabeleceram-se em Creta a fim de se prepararem para intervir no continente. Desse modo a importante região petrolífera de Ploesti (perto de Bucareste) ficou sob o seu raio de ação. Simultaneamente, o Primeiro-ministro britânico intensificou os seus esforços em Ancara e em Belgrado, para conseguir novos adversários para a Alemanha e para a Itália.
No fim de uma semana era manifesto que o ataque de Mussolini não assumia o caráter duma campanha relâmpago. Contra todos os prognósticos, Ciano não conseguiu arrastar Boris III, rei da Bulgária, o que dificultou a tomada da Grécia em tenaz. O comando helênico pôde reunir as suas melhores tropas no Epira, onde ofereceram uma resistência feroz. O general Sebastiano Visconti-Prasca, comandante-chefe italiano, verificou com indignação os albaneses passarem para as tropas inimigas, e organizarem uma guerrilha na sua retaguarda. O tempo úmido e frio do Outono, as quedas de neve, as epidemias, a falta de estradas, a ausência de abrigos num terreno despido de vegetação, criaram condições muito penosas para os soldados italianos.
Submarinos britânicos e gregos e aviões-torpedeiros dificultaram o tráfico marítimo no canal de Otrante. Os abastecimentos cessaram. Também as condições políticas se transformaram. A iniciativa de Mussolini não permitiu somente ao primeiro-ministro britânico fazer voltar ao continente europeu as forças que dali tinham sido afastadas cinco meses antes, mas atraiu também Stalin. Reforçou a sua ação na Bulgária e na Iugoslávia e fez com que Molotov protestasse quando seis estados, cujos delegados se reuniram em Viena por instigação da Alemanha, resolveram a dissolução da Comissão do Danúbio, cuja competência se estendia de Braila ao Mar Negro. Pela incorporação da Bessarábia, a União Soviética tornara-se senhora da embocadura do rio e procurava então exercer a sua influência numa das posições-chaves do Sudeste. Todo o problema da soberania do Danúbio, até Presburgo e Viena se encontrava em discussão.
Mas Hitler foi, no entanto, ao encontro dos Soviéticos, promovendo em Bucareste uma conferência que devia durar um mês. A reaparição manifesta dos interesses alemães e russos do Sudoeste da Europa, levaram-no a novas decisões. Ele desejava então um acordo "a longo prazo" com Stalin. A sua diplomacia devia transformar o "triângulo Berlim-Roma-Tóquio" em quádrupla aliança pela incorporação da União Soviética e desviar assim da Europa a atenção dos senhores do Kremlin. Hitler e Ribbentrop adotaram a antiga concepção de Napoleão perante Alexandre I. O intérprete Paul Schmidt denorninou-a o "motivo Sul". Desejava-se orientar o imperialismo russo numa direção diferente: com o acordo de Berlim, a Rússia podia procurar a sua "saída natural" para o mar livre, através da Pérsia e do Afeganistão, e levar o seu poder até à Índia, enquanto que o Japão se reservava a Asia do sudeste, a Itália, a África do Norte, e a Alemanha a África central, como zonas de expansão.
Molotov foi a Berlim, onde teve conversações com Hitler e Ribbentrop, a 12 e 13 de Novembro de 1940. Pareceram-lhe interessantes as propostas alemãs, mas não deixou de pensar na Europa. O entendimento da Alemanha com a Romênia, um acordo com Helsinque que autorizasse a passagem de tropas hitlerianas pelo território finlandês, para chegarem à Noruega setentrional, pareceram-lhe muito inquietadoras. Pediu o regresso da missão militar enviada à Romênia, e desejou saber o que pensaria Hitler se a União Soviética desse a sua garantia à Bulgária e regulasse o "problema finlandês" por uma campanha bélica. Falou também da questão dos Dardanelos, e, no decurso da conversação, deu a entender que os interesses russos se estendiam até à Iugoslávia e à Dinamarca. Hitler julgou ver nisso uma ameaça de cerco. A sua desconfiança foi ainda mais despertada por uma nota datada de 25 de Novembro, que acentuava os desejos de Stalin a respeito dos Dardanelos, da Bulgária e da Finlândia, e que formulava novas reivindicações.
Foram estas negociações que fizeram definitivamente amadurecer em Hitler a decisão de eliminar a União Soviética por uma campanha-surpresa. Em 29 de Novembro, 3 e 7 de Dezembro, o estudo começado em 25 de Agosto pelo general Friedrich Paulus, foi objeto dum exercício sobre o mapa. A 18 de Dezembro, o OKW fez aparecer a sua Instrução 21 para o caso "Barbarossa". "Stalin, declarou Hitler no começo do ano novo, não atuará abertamente contra a Alemanha", mas "não poderá deixar de lhe criar dificuldades cada vez mais graves, porque Moscou quer recolher a herança da Europa empobrecida" e está animado do impetuoso desejo de se alongar para oeste. A União Soviética desempenha para a Inglaterra o papel duma espada continental em potência. Só a perspectiva de a ver intervir mantém ainda essa na guerra. Churchill não abandonará o caminho empreendido senão quando esta última esperança continental tenha desaparecido. Entretanto é impossível lançar uma guerra relâmpago contra a Rússia, enquanto uma zona de tempestades políticas subsistir no flanco da linha de ataque. Essa zona causava grandes preocupações a Hitler.
"A Iugoslávia, a Bulgária e a Turquia não querem manifestar-se em apoio do Eixo" , escrevia em 20 de Novembro, ao chefe do Governo italiano; a Rússia manifesta um interesse inquietador pelos Balcãs. "A situação militar é ameaçadora, a situação econômica é angustiosa". Para as modificar ele queria reforçar o seu sistema de alianças, fazendo com que a ela aderissem as pequenas potências. Pediu a Mussolini que recorresse de novo a Franco, e em 20, 23 e 24 de Novembro, incorporou a Hungria, a Romênia e a Eslováquia no pacto triangular. Simultaneamente, mandou aos Italianos um grupo de transporte aéreo que se instalou em Fógia no princípio de Dezembro. Alguns dias mais tarde, o X corpo aéreo (Geisler) começou a passar-se para a Sicília. Os italianos encontravam-se numa situação delicada. O ataque à Grécia, mal organizado, executado sem o auxílio de nenhum aliado, e nem sequer apoiado pela esquadra, valeu-lhe severos reveses. Em Novembro, o General Alexander Fapagos, comandante-chefe grego, tomou a iniciativa. Libertou o Epiro meridional e conquistou grande parte da Albânia. No princípio de dezembro, o 9º Exército italiano (Vercellino) e o 11º (Geluso) estavam ameaçados de serem empurrados para o mar. Visconti-Prasca teve de recuar. Um violento artigo de Roberto Farinácci, secretário do partido fascista, induziu o chefe de Estado-Maior, General Pietro Badoglio a demitir-se, pois atribuía-lhe a inteira responsabilidade do fracasso. O conde Ugo Caballero, sucessor de Badoglio, foi a Albânia num avião. Mas este estrategista circunspecto não conseguiu mudar a sorte das armas, tanto mais que se produziram reveses ainda mais graves em outros teatros de o operações.
Os italianos pagaram a falta cometida, pois não tomaram Creta logo no princípio da campanha da Grécia. O almirante Cunningham pôde transformar a baía da Sude em ponte de apoio e melhorar assim sensivelmente o seu domínio do Mar Egeu e do Mar Jônico. A 11 de Novembro, a esquadra de Alexandria que incluía o porta-aviões Illustrious, aproximou-se, sem ser pressentida, da ponta sul da Itália. Três cruzadores destruíram um comboio, destinado à Albânia, no estreito de Otranto. Aviões-torpodeiros alcançaram Torento, onde a esquadra italiana estava ancorada, e danificaram três couraçados: Littorio, Cavur e Duílio. Todas as outras grandes unidades foram mudadas para Nápoles. Um outro combate travado por Somerville ao lado de Teulade (Sardenha) confirmou a superioridade marítima, adquirida pelo menos por 6 meses no Mar Grande de Tarento. Entretanto, o comandante britânico do Oriente Próximo recebeu novos carros que o seu chefe, general Sir Archilbald Wavell, destinou principalmente às tropas de Marsa Matrouk. Aí se encontravam a pequena Desert Force (O'Connor), que compreendia duas divisões e um batalhão reforçado de carros, isto é, 38.000 homens, indianos em grande parte. A 6 de Dezembro essas tropas, numericamente muito inferiores às italianas, atacaram. Enquanto a esquadra da Alexandria bombardeava a rota costeira e Sidi Brani, O'Connor atravessava um ponto entre os campos do adversário e depois voltou-se contra este.
O 1º Exército italiano (Berti) foi completamente aniquilado. Três das suas divisões deixaram de existir, e seis outras se retiraram para Sollum, Bardia e Tobruque, onde foram atacadas e obrigadas a capitular. Quando o marechal Graziani pretendeu constituir uma nova linha de defesa na fronteira ocidental da Cirenaica, não dispunha senão de 7.000 homens, pois 130.000 tinham passado para trás do arame farpado dos campos de prisioneiros britânicos.
Simultaneamente com esta ofensiva no "deserto ocidental" Wavell tinha preparado outra na África Oriental. Organizou dois corpos expedicionários, comandados pelos generais Sir Alan Cunningham e Sir William Platt, que se juntaram na fronteira nordeste de Quênia e Cartum. Regimentos sul-africanos, tropas negras, indianos, sudaneses, um contingente colonial belga e grande número de partidários abissínios obrigaram a capitular o príncipe Amadeo de Sabóia e o duque de Aosta, que dispunham de mais de 220.000 homens. Os Britânicos, que dominavam o Mar Vermelho como o Oceano Índico, puderam impedir o reabastecimento inimigo e o transporte de todo o material militar de que este necessitava.
A campanha começou a 19 de Janeiro de 1941 e a vitória foi rápida. A Somália italiana e a Eritréia caíram quase sem luta. Os grandes obstáculos montanhosos de Amba Alagi e de Quéren foram vencidos. O príncipe Amadeo rendeu-se. O imperador Hailé Sélassié entrou novamente em Adis-Abeba montado num cavalo branco e escoltado por guerreiros cheios de alegria.
Fonte deste artigo: Dahms, Hellmuth Günther. A Segunda Guerra Mundial. Círculo Azul
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